sábado, 30 de julho de 2011

Mudo eco de uma paixão apressada
















Cansei de iludir-me
no oco de suas máscaras
promessas não ditas

Esqueci de abalar-me
em seus gritos surdos
chamados de solidão

Desisti de procurar-me
em seus beijos fugidios
enganos de intimidade

Fugi de enrolar-me
em seu corpo insaciado
emoções punidas

Ensurdeci de ouvir-me
no eco de sua voz
palavra fugaz

Decidi deixar de buscar-me
em sua paixão apressada
amor incapaz.


Imagem em poesiasgracy

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DEUS É FIEL

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um porto, seu corpo
















Despi-me
em suas formas
despertando loucuras
acordei braseiros
a pele em peso
deslizando
levezas num desejo

Apartei-me
da norma
insegura
aportei sedução
em seu corpo
malícia carente
em porto seguro

Vesti-me
de entrega
em seu suor
calei salivas
trocas indecisas
desassossego
em olhos de furacão.


Imagem em damadatarde

Twitter: https://twitter.com/#!/SilviaMello23


DEUS É FIEL 

terça-feira, 26 de julho de 2011

A liberdade dança atrás de grades














Se eu me apegasse
a certezas inocentes
promessas aparentes
em algodão doce
teceria lendas
suspiros
no escuro do cinema

Se eu me entendesse
na lógica das explicações
praticaria rotinas
entregaria prendas
dormiria noites
sem a inquietação
da ventania

Se eu me aceitasse
diante da obviedade
da moda
do insistente clamor
das notícias de jornal
andaria ruas
na imposição de cores

Se eu me calasse
na tranqüilidade
das respostas prontas
viveria na obscuridade
da decência
inventada na tradição
dos quadros negros

Mas preferi
abraçar universos nus
perseguir destinos desavisados
tatuar meias verdades
vestir azul em dias cinzentos
aceitar palavras esquecidas
desculpar pecados condenados

E percebi
que a transgressão
não move o mundo
a liberdade
habita, paradoxal,
a face humana
do Universo

Descobri
que a liberdade
mora em gaiolas
dança atrás de grades
voa no limite de muros
adorna-se com algemas

e escolhe ser fiel.
 
Imagem: inventivecomputing

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DEUS É FIEL

segunda-feira, 25 de julho de 2011

De lampejos no vôo da ventania




















Não tenho nada
além da urgência
das marés
carregada no
canto-pranto
das sereias
para portos distantes

Saudade ancorada

Não aceito tudo
além do dom
da palavra
nascido em
olhos de estrelas
brechas num céu
carinho dos deuses

Herança na passagem

Não peço muito
além da liberdade
conquistada
na solidão das noites
presente dos mestres
que apontam
caminhos

Destino nas mãos

Não quero menos
que a luz
castigada
na missão das viagens
trazida em lampejos
no vôo
da ventania

Sintonia da alma

Não vivo mais
além do eco
desse chamado
tecido
nas entrelinhas
de versos nus
enlaçando leitor

Eterna gratidão.



Imagem em labirintosdaalma

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DEUS É FIEL

domingo, 24 de julho de 2011

No impacto das coisas passageiras














Há um fato
que me abraça
no impacto
das coisas passageiras
mensagem disfarçada
olhar roubado
pegadas gravadas
em asas da alma

Há um canto
que me acorda
suave aviso
no manto da noite
previsto encontro
palavra enviada
sinal dos astros
signo da vida

Há um conto
que me acalma
no silêncio
das horas
terno aconchego
pedido atendido
enredo descabido
em final feliz.


Imagem em dasmarias

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DEUS É FIEL

sexta-feira, 22 de julho de 2011

De contas que medem o infinito
















Olhos
onde o mundo se resolve
as metades se encontram

Espelho d’água
reflete abismos
sedução num brilho
poças da alma
banhando paixões

Melodias travessas
na cumplicidade
da noite
juras de esperança
ao romper da aurora

Contas no deserto
ansiando oásis
desmascaram amor
denunciam segredo
pressentem traição

Asas de anjo
perdidas
num traço de artista
prisão em caleidoscópio
face humana entre doçura e fel

Orgias vivas
na madrugada
invadem sonhos
confirmam desejos
despem pesadelos

Ternuras perdidas
num pôr-do-sol
bailam emoções
irrompem tristezas
anunciam alegrias

Porções coloridas
do infinito
capturam horizontes
gravam paisagens
percorrem mares

Olhos
pequenas ilusões
uma metáfora.



Imagem em eternessencias

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DEUS É FIEL


quinta-feira, 21 de julho de 2011

De momentos que roçam o céu















Pedi
a imensidão
num verso
linha do horizonte
onde momentos
roçam o céu

Pedi
a luz
do seu olhar
por empréstimo
como se pudesse
calar o tempo

Pedi
canção do vento
num murmúrio
na esperança
de aprisionar
a emoção

Pedi
fagulhas
de vida
à beira do caminho
trilhando sonhos
de  eternidade.

 
Imagem em dementia

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DEUS É FIEL