terça-feira, 23 de novembro de 2010

MULHER-REVOLTA
















Mulher-criança-boazinha.
Mulher-menina-inteligente.
Mulher-mocinha-comportada.
Mulher-garota-ajuizada.
Mulher-casada-preparada.
Mulher-revolta-não sou nada!!!

POUCO IMPORTA

Essa chuva lá fora não me comove,
Pingos na janela não são algum tipo de saudação.
Chove a cântaros e pouco me importa.
Se a chuva parar, pra mim tanto faz.
Foi-se o tempo em que o Tempo
comandava meu humor...
Sou mais o Tempo quando
há um tempo para tudo,
tempo de chover e tempo de brilhar o Sol...

TRISTÉDIO


Jamais deixei que o tédio me pegasse de surpresa,
Jamais pensei que a tristeza me quisesse prisioneira.
Ensaiei a fuga preparando-me com toda a sutileza,
quando a mim só cabia tomar a dianteira.
De nada adiantou mostrar-me mestre na arte da esperteza,
pois  ainda me restava a escuridão de uma noite inteira.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um tempo para mim...
















Há um tempo para mim
Tempo de me dar a mão
Tempo quase sem-tempo
Tempo de viver o ser-eu
Tempo de busca e encontro
Tempo de buscar o outro
Tempo de encontrar a mim.

Imagem: Baixaki



A CHEGADA
















Sonhei que um trem parava na estação vazia
A noite escura dava espaço a um luar intenso,
como se no céu pesadas nuvens abrissem uma janela,
para exibir a cavalgada de São Jorge.
Um único passageiro desembarcou do sétimo vagão ao longe.
O vento soprava leve e gélido, espalhando pequeninas flores secas pelo ar.
A figura masculina caminhava em minha direção, inexoravelmente,
crescendo aos meus olhos a cada passo.
O corte elegante do traje lhe acentuava a beleza,
mas os cabelos em desalinho eram um desafio à postura séria.
Então, um sonho divino brotou de dentro de meu sonhar:
Quando suas mãos fortes tocaram suavemente meu rosto,
na cena já não cabiam palavras.

Imagem: Google


domingo, 21 de novembro de 2010

CARROSSEL



Na sua sociável insanidade
Você só entende a
linguagem do grito
E se a voz nas alturas é minha
Aos olhos do mundo, estou de posse da loucura

E nesse alimentar o con-viver
Só cabem ações e reações
Como num programado carrossel
Onde viver é co-depender


Nesse jogo macabro não se encontra
Quem possa frear o carrossel
E então, temerosa, eu me divido
Entre o saltar e o reverter esse rodar

Deixar de reagir é reverter,
Ir contra o vento desse movimento
Mudar... Agir... Não depender
Buscar nas emoções o desligar-se

E assim curar-se da loucura
É mergulhar no paradoxo
De espelhar a normalidade exterior
Apesar do redemoinho interior

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AFASTE-ME

















Esqueça-me como se virasse o verso em branco
Da última página de um livro,
Pois já lhe dediquei o ponto final
De uma decisiva frase onde não cabem reticências...

Deixe-me como quem desliga o aparelho de som
Após ouvir repetidas vezes a preferida canção, pois
Pela última vez, dedilhei ao piano as derradeiras notas
Da partitura que, dentre todas, mais me atrai.

Delete-me como quem aperta a tecla del
Para livrar-se de um arquivo com vírus,
Pois já removi seu nick de todas
As minhas páginas de relacionamento.

Afaste-me como quem se solta
De uma mão em meio à multidão,
Pois deixei de você como o insano que abandona
Um desejo transformado em vício.

Imagem: Alta Definição Por Roberto Beto