quarta-feira, 13 de julho de 2011

Em abrigo de alquimia





















Meu castelo
meu pensar
abrigo de alquimia
magias do imaginar
virgem eco
sem elos

Meu caminho
meu sentir
trôpego andarilho
cálido apego
sem porteiras
emoção viajante

Minha busca
meu destino
ansiosa falta
transparentes signos
anseios onipresentes
dúvidas num bailar

Meu encontro
meu castigo
dissidente
pedra bruta
em toque perdido
amor pendente

Meu dom
minha alma
sopro constante
vital fagulha
ampla consciência
palavra nascida

Em plano maior.


Imagem em mundiphislosophorum

Twitter: https://twitter.com/#!/SilviaMello23

DEUS É FIEL

sábado, 9 de julho de 2011

De trégua em dias sem rima
















Ela pressentiu
que era longe
o lugar de s
er feliz
e se fez ausência
no amargo das horas
num tempo em guerra
sonhou-se trégua
fez-se poesia
em dias sem rima

Ela abandonou-se
na cantiga urgente
da paisagem
impregnada de vida
contaminou-se
em poeiras de espera
suspeitou quietudes
nuances de alegria
num poente

Era tarde
quando a tempestade
trincou-se em pedras
de um silêncio bendito
era alvorada rósea
quando feixes de luz
anunciaram onde
ela transmutara
o tempo.

 
Imagem em imagemvintage

Twitter: https://twitter.com/#!/SilviaM​ello23

DEUS É FIEL

terça-feira, 5 de julho de 2011

De pulseiras de ouro em braços de menina



Ela enfeitiçou
manhãs comuns
em caramelos
de café
aromas de mantecal
passeiam
desde sempre pela boca

Ela
só permitiu
passado
em pequenas gotas
difusas
enquanto se mostrava
toda luz e movimento

Ela encantou
viagens de trem
rosas no jardim
passeios por trilhas
limonada em tardes de verão
sorveu garapas por prazer
caminhou vidas numa só

Ela enfeitou
pulseiras de ouro
em braço de menina
dedos em água marinha
dia de procissão
modelou belezas de crochê
num corpo de mocinha
ensinou saudade

Ela percorreu
festas e ruas
na lembrança de alguém
guardou doces
em bolsos de casaco
chorou mortes
apressou demoras

Ela espalhou
despertares
curiosidade
de ovos no ninho
sabor de caldos quentes
banquetes de macarrão
vestiu roupa de feriado

Ela garantiu
que se fosse ainda ficaria
e se foi
num passeio-susto
de domingo
visão etérea de outros jardins
sem aviso sem desculpas.
 
 
Imagem em segredodaarte

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DEUS É FIEL




segunda-feira, 4 de julho de 2011

RODA VIDA




















Nessa
rod
a-vida
viva
sou compasso
emoção
cansaço
na dança cadência
de um passo
em falso querer

Nessa
vida danço
roda-viva
no balanço
sonho lida
de palhaço
trago
vivas
de festim

Nessa
vida
viva-roda
levo
tranças
de boneca
brinco
cantos
de criança

Nessa
dança solta
rodo viva
levo a sério
essa roda
de cantigas
que sem vivas
é loucura
essa vida.

Roda-vida
Viva.

 

Imagem: A Roda da Fortuna, arcano 12 do Tarô Mitológico, de Juliet Sharman-Burke e Liz Greene.

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DEUS É FIEL


domingo, 3 de julho de 2011

Dueto em abandono













Adormeci
em acaso
de paixão
ouvi cantigas
em seus olhos
brilho de entrega

Sonhei
vidas num encontro
anseios no horizonte
decifrei aromas
em caminhos
do seu corpo

Percorri
alquímica sintonia
em desejos aprendizes
segredei
palavras no silêncio
do seu toque

Calei
sussurros da noite
num beijo
caricias suaves
furtei malícias
dueto em abandono.

 

Imagem em purainspiração

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DEUS É FIEL

Ama-me... o infinito cabe num poema













Ama-me
na prisão
das palavras doces
nas mentiras
divertidas
de “não sei”

Sei que ama
como pecado
em alma de criança
e me quer
na intensidade
da lembrança

Sei que pulsa
entre
o desejo e o pensamento
a razão e a emoção
nesse pout-pourri
te quero-ir-ficar

Ama-me
mas canta acordes
de respeito
que amar é mais que jogo
amor vibra como espelho
em águas de bem-querer

Ama-me antes
que já passa das seis
encantos trincam
tal qual cristal
em taças de vinho
no eco dos sinos

Ama-me logo
que o tempo fecha brechas
apaga momentos
carrega alegrias
como areia nua
depois da ressaca

Ama-me agora
mais que ao longe
que “para sempre”
é rastro-raio que se apaga
com sopro do vento
e o infinito cabe num poema

Ama-me sempre
que paixão
se perde no oco
da palavra
“amor”
nunca pronunciada

Ama-me urgente
ainda que distante
no som partido
das horas proibidas
que essas
já se vão

 
Ama-me
sem promessa
mas com certeza
na seriedade
da alegria
pura

Ama-me
simplesmente
na dificuldade dos passos
na impossibilidade
dos momentos
na confirmação dos olhos

Ama-me
no frescor do dia
que crepúsculos
são destino
e a noite
não tarda

Ama-me
na captura
dos seus enganos
que planos ideais
perdem-se em saudade
de coisas que não foram

Ama-me
na dúvida do hoje
que amanhã
é certa a nostalgia
das horas não vividas
de ontem.



Imagem: Google

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DEUS É FIEL



NOTA DISSONANTE
















Atravessei
dias brilhantes
qual nota dissonante
linha partida
ser estranho
marcado no espelho

Voltei
olhos cativos
ao interior
procurando
o nuance de cor
do ser igual

Andei
caminhos claros
de solidão
incerteza curiosa
impressa em versos
sem rima

Transbordei
profusão de vida
borbulhantes
outros mundos em pessoas
surpreendi
caleidoscópios

Em mim.



Imagem em sitedepoesias

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DEUS É FIEL