sábado, 4 de junho de 2011

LETRA VIRGEM













Cada página
vagalume-nascida
virgens idéias
palavra em ascensão
desafios à mente
inusitada descoberta
da festa cotidiana
como des-cascar
banana

Num vira-página
pisca-vagalume
tritura pensamento
ousadia em letras
mais-que-perfeitas
mágica intensidade
a palavra-dádiva
como ab-sorver
Clarice.


Imagem: Google



DEUS É FIEL

sexta-feira, 3 de junho de 2011

FEBRE
















É febre essa ousadia em que tremo
Na palidez das ruas latejando
Sutis lampejos de clarividência
De brisa em brisa superando uma fraqueza

A cada escada espreito um movimento
Olhos secos num instante fascinados
Pela visão impaciente do futuro
Em que meu corpo possuído se rebela

Se me rodeia a morna atmosfera
Sereno diante do brilho de um espelho
Meu rosto mudo se aquieta em espera
E me atinge o amor qual ironia.


Imagem: Google

Twitter: http://twitter.com/#!/SilviaMello23


DEUS É FIEL

A Parte que me Toca
















Se fosse fácil dispensar carências
A parte que me toca não teria amarras
Seriam claros os dias de semana
Loucos de rotina os feriados

Se fosse próprio enfrentar desprezos
A parte que me cabe não faria apelos
Seriam longos os caminhos entre pedras
Fechadas as urbanas avenidas

Se fosse lícito implorar amores
A parte que me aparta não teria cortes
Seriam castos os encontros proibidos
Sensuais os passeios pelas ruas

Se fosse perto abandonar um vício
A parte que me encanta não teria manchas
Seriam largas as secretas passagens
Estreitos os campos de colheita.


Imagem: Google


DEUS É FIEL

A Quem possa Interessar


















Em dias chamados "sempre", não farei concessões
Caminharei escuros com braseiros nas mãos
Saberei iluminar passos sem me queimar
Cruzarei janelas despedindo olhares
Devolverei julgamentos aos tribunais
Aceitarei acenos sem esperar promessas
Espalharei pedaços de sonhos na travessia de portais
Guardarei os dias libertando a pressa
Passarei por noites sem tocar estrelas
Dividirei momentos soltando o medo da perda
Perderei disputas abrindo trilhas de liberdade
Acatarei presságios celebrando harmonia.
 
I
magem: Google
Twitter: http://twitter.com/#!/SilviaMello23
DEUS É FIEL

POEMA em DESPEDIDA

















Em que filme
gravei
cenas de groselha
no intervalo do cinema
brigas inventadas
mãos suaves e
beijos de algodão?

Em que praia
deixei
enjôos de mar
a vida crescendo
dentro de mim
contradições de alegria
e agonia?

Em que degrau
depositei
seu carinho apressado
de cada manhã
prenúncio de idas sem volta
dias vazios
em molduras de silêncio?

Em que estante
guardei
sua voz
lendo trechos
de Engels e Kollontai
celebrados ao som
de Elomar ou Mercedes?

Em que fotografia
de irônicas cores
abandonei
meu rosto
em púrpura destruído
fruto da agressão
nunca punida?

Em que tardes
pedalei
distâncias
em embalos
de Calcanhoto
e de suas canções
me apossei?

Em que ruas
da cidade em vale
permiti
traições
gritei escândalos
desprezei modelos
e máscaras?

Em que noites
desfrutei
sabores
tomates secos, vinho e kiwi
intimidade fugaz
perdida na promessa
nunca jurada?

Em que horas
esqueci
meus medos
desatei procuras
misturei perfumes
que lancei na noite
solidão em sopros?

Em que dias
descobri
seus medos
disfarçados na espuma
em bocas
de copos de cerveja
e vivi liberdades?

Em que vida
desisti
de tudo
entreguei seus discos
apaguei escritos
recobrei amor
decidi partir?


Imagem: Google



DEUS É FIEL

quinta-feira, 2 de junho de 2011

FOLIAS DA MANHÃ



















Despedi temores
em respeito
ao espetáculo da manhã
meus olhos comentavam
claridades
oposição às emoções
da alma

Aprendi esperanças
em reverência
ao jogo de luzes
propostas da manhã
coroada de sol
despida
das brumas da noite

Aceitei surpresas
em recepção
ao presente do dia
entregue
por aragens da manhã
promessas de alegria
na cantiga da vida

Acordei audácias
em gratidão
às folias da manhã
espalhadas
na janela
poeiras de benção
ventos de transformação.


Imagem: Google

Twitter:
http://twitter.com/#!/SilviaMello23

DEUS É FIEL

quarta-feira, 1 de junho de 2011

OLHARES














Seus olhos
certeiros
flertavam propostas
entre faróis
na penumbra do trânsito
às seis da tarde

Seus olhos
lanças de prata
atingiam
impiedosos
desavisados alvos
em abandono

Seus olhos
presença lúdica
dançavam
cantigas
pingos de estrelas
rasgando o céu

Seus olhos
alma de ourives
esculpiam
dúvidas
letras gravadas
em ferro ardente

Seus olhos
fogueira em fagulhas
denunciavam
ciúmes
brasa encarnada
à meia luz

Seus olhos
relâmpagos
confirmavam
traições
tempestade anunciada
em fim de noite

Seus olhos
em concha
marejavam saudades
ondas de emoção
reflexos de sol
beijando a água.


Imagem: Google



DEUS É FIEL