sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Máscara Carmim



Noite
esconde-se em mim
confetes roçam a pele
suada
sóbria entre sons
perdidas marchas antigas

Olhos brilham
danças
paixão de Colombina
em máscara carmim
que jamais
seja quarta-feira

Perfume
de mulher
entorpece passos
no salão transborda
sedução
negro brilho nos cabelos

“Vou beijar-te agora”
delata a canção
corpos se abandonam
em ritmo de serpentina
lábios se esquecem
por um momento, Carnaval.


Imagem em theattrhall

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DEUS É FIEL



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Da lida que derrama a vida















É frágil anseio
pairam vôos
indecisos
enredos fugidios
anjos loucos
no cio

É terna dúvida
pálida vontade
escapa transparente
bondade
rompe-se
etérea sintonia

É pobre
busca
(em pranto?)
no espelho evapora
antiga, a lida
submersa sinfonia

É breve
essa vida
nas ruas, nos cantos
nos campos, nas danças
nas vozes perdida
agreste, a melodia.



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DEUS É FIEL

Do amor que não resiste à chuva















Meu corpo estremece
malícia
em suas mãos

Meus lábios saciam sede
beijos de chuva
em sua boca

Seu corpo me aquece
pingos dançam na pele
que grita arrepios

Sou sua

ninfa sob a chuva
amor é como prece.


Imagem em haluznofundodotunel

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DEUS É FIEL

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Do que transmuta o dia em noite


















Mesclas de melancolia e cor
horizonte
paira incandescente
mágico movimento
em que a noite
encanta o céu

Entardecer
lábios se tocam
emoção aflora
olhar se faz busca
despertam os sentidos
na frágil razão que se pede

Traçado invisível
separa dia e noite
descuidado tempo
entrega-se em explosão
almas se encontram
momento que jamais se rouba

Agora
que tudo se perdeu
poeira de por-do-sol
num lampejo
o que me traz
você de volta?

E se possível fosse
(ilusão?)
em outra terra, uma chance
depois que tudo se desfez
o que importa
estar de volta?

Se percebo
que teci enredos
redes de agonia
que me perdem de você
como retorno inteira
sem disfarces

Para mim?


Imagem em docepoema 

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DEUS É FIEL


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

De sentenças ao correr do trem




















Encenei preces
em segredo
no oco da noite
ao som das rodas
melodias sobre trilhos
soltei o medo

Da janela
a paisagem-movimento
contemplei
luzes esparsas
meus olhos correram
em busca de quem

Toquei transparências
levezas de amanhecer
dúvidas
num fio invisível
ao correr dos vagões
calei sentenças

Tranquei memórias
no vazio da cabine
da bagagem
restos sopros
ao pisar a estação
alguém se fez encontro.


Imagem em yzabell-lee

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DEUS É FIEL

sábado, 4 de fevereiro de 2012

De versos em lábios sem palavras















Sorvo momentos
em que me pego
meio alheia a palavras
mais sentido que frase
gesto sem verso
mais perguntas que respostas
melodia sem letra
mais caminhos que direção
partida sem adeus

 
Rendo-me
ao poder do olhar
compreendo
vácuos
folhas de papel em branco
carregadas de inspiração
“Não há palavras para tudo”

Qualquer dia 

colho versos
em lábios sem palavras.


Imagem em verseslife

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DEUS É FIEL

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

De coisas que permanecem




















Aprisionei lembranças
num frasco de perfume
congelei cenas
em porta-retratos

Evaporei saudades
em folhas secas
presas entre páginas
do livro favorito

Abandonei canções
em velhos vinis
momentos empoeirados
esquecidos na prateleira

Só não consegui...

Expulsar da mente
a voz que sussurra meu nome
apagar da pele
a tatuagem do seu toque.

Imagem em anabanana

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DEUS É FIEL