quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUASE PERFEITO










Queria um amor
quase perfeito
amor que não trai
não fala mais do que cala
que ouve mais do que fala
que se cala porque ouve



Queria um amor
pouco imperfeito
amor que não fere
não quer mais do que doa
que pede menos que quer
que doa o que não pede

Queria um amor
sem defeito
amor que não mente
não muda menos que espera
que se entrega mais do que muda
que espera porque doce se entrega

Queria um amor
sem remendo
amor que não bate
não fica menos que parte
que sofre quando não fica
que se parte é porque sofre

Queria um amor
de gêmea alma sabor
amor que não vacila
não sente menos que vê
entende o que o outro sente
e tudo vê porque se entende.

Imagem: Google

VIDA QUE PASSA


Para Janete









A vida
abatida
por um fio
se desfez
o tímido
laço
perdido abraço

A vida
por um triz
na lida
pálida
vontade
em sopro
evaporou

No dia
do santo
no doce embalo
dos sinos
aos céus viajar
frágil
em prece
se entregar

Do corpo
se deixar
na alma
oração
E, como estrela
ao lado do Pai
do alto
na noite
por sua filha
zelar

Imagem: Google


DOCE MORTE SAUDADE













Saudade dói como espinho que sangra a pele
Não dói mais que o vazio do que não foi
A promessa do que poderia ser
O vazio que se preenche com saudade
É a dor de quem se arriscou a viver
Sabendo que nessa jornada
O que dói e até o que não ousa ferir
É tudo efêmera aventura

Saudade mata mais que febre
Mas é doce sensação de saudade morrer
Triste é viver em amarga lembrança
Na boca, amargo, o fel do beijo não dado
É doce entregar-se na ausência do abraço
O calor do corpo apartado no corpo guardar
É doce morrer dessa morte-lembrança
Tatuada nos lábios, em beijo renasce
Na boca, saudade, sabor de outros lábios

Imagem: Google

domingo, 12 de dezembro de 2010

PEDAÇO DE MIM

















Há uma parte de mim
serena que acalma
e outra serpente
que jaz furacão
nunca dorme

Essa é que me encanta
que cria, que voa
que vive, que dança
à noite me mata
e me faz renascer na manhã.

Imagem: Google

sábado, 11 de dezembro de 2010

CONTO EN-CANTO

Conto mil vezes um encanto
Canto por vezes um conto
E me encanto muitas vezes por um canto

Quando me encanto por um conto
É aí que conto como um canto
E canto do conto todo encanto

Se me encanto por um canto
E em conto, eu conto esse encanto
Meu encanto é o conto de um canto

E se mil encantos encontro num conto
Canto em conto os encantos
E me encanto com o canto do conto.



Imagem: Google


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

TRANSPARÊNCIAS














Não me desfaço em gentilezas
Nem tenho tempo pra finuras
Em desculpas não me diluo
Reservo a mim fidelidade

Não me atormento com aparências
Em falsas promessas não me desvio
Nem me ofereço às doces mentiras
A mim basta somente transparência

Não me iludo com acenos da paixão
De amor, declarações não me convencem
Nem me entrego ao jugo das belas canções
Procuro a estima que minha alma me concede

Imagem: Google

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

INICIAÇÃO

Arriscando-me numa experiência de criação,
folheei o dicionário de A a Z e encontrei uma ou duas palavras com cada letra aleatoriamente. O objetivo era construir um poema com as palavras:

aldeia, bloqueio, candeeiro, constelação, drama, endossar, fumaçar, gelatina, hiena, iniciado, joão-ninguém, lavanda, modesta, narciso, ocasião, parasitar, quântico, quartzo, regenerar, sagitário, terracota, usual, veranear, zoada, zircônia.


Acabei criando uma história que agora conto em versos.



INICIAÇÃO

no quântico espaço
de lavanda se inebriou
encimando luzes
de sagitário
os pés na terracota
da aldeia
modesta
não era usual
veranear qual
modista enfeitando
narciso
no candeeiro se
fumaçou
zircônia e quartzo
endossaram
qual constelação
a ocasião
na zoada um drama
parasitava
bloqueio em gelatina
impossível
a hiena regenerar
como tornar joão-ninguém
um iniciado.

Imagem: Google